domingo, 26 de agosto de 2012

Educação a Distância: a Educação Física da Educação Tradicional


Você, o senhor ou a senhora que acabou de ler o título acima, está tentando entender o que isso significa ou o que estou querendo dizer...
Para inicio de conversa, sou professor de Educação Física, pós-graduando em Metodologias e Gestão em Educação a Distância e atualmente trabalho na Educação Básica (Ensino Fundamental I – do 1º ao 5º ano), depois extensa apresentação vamos ao que realmente interessa.
Sabemos que no Ensino Básico, isto é, quando comparado ao ensino público, a Educação Física é uma disciplina e/ou matéria que as aulas na maioria das vezes ocorrem fora da sala de aula (quadra, pátios, corredores, estacionamentos das escolas...) devido à maioria das aulas ocorrem fora de seu ambiente tradicional (sala de aula, com mesas e cadeiras, lousa, e os alunos dispostos ou sentados uns atrás dos outros, ou seja, tudo na divida ordem, todos sentadinhos e bonitinhos enfim...), onde os alunos estão todos espalhados, cada um corre para um lado, sem falar dos barulhos que os alunos fazem durante as aulas, eu acho que é melhor você para um pouquinho de ler e pensar das aulas de Educação Física em que você participou, assistindo ou praticando alguma atividade.
Agora que você acabou de lembrar-se do ambiente das aulas de educação física, veja que a Educação Física utiliza como conteúdos estruturantes para ensino-aprendizagem: os esportes, jogos e brincadeiras, danças, ginásticas e lutas. Poucos sabem que é através desses conteúdos que alunos estudam as práticas corporais locais e de diversas culturas, tendo com o objetivo de aprofundar (conhecimentos dos alunos sobre atividade realizada), ampliar (conhecer, vivenciar diferentes práticas sobre a atividade realizadas) e ressignificar (atribuir novos sentidos as atividades realizadas), mas para isso tudo ser feito, devemos começar mapeando a cultura corporal dos alunos, e isso deve estar de acordo com o projeto político pedagógico da instituição.
Para muitos ou para maioria que não possuem essas informações, e se deparam com aulas de educação física com o “rola bola” (termo dado para as aulas que só tem futebol, rachão ou pelada, na verdade são aulas sem objetivos), talvez seja por isso que ela é considerada uma disciplina paralela ou de segunda linha e sem importância na Educação Básica, que não tem conteúdo próprio, e é preciso usar conteúdos da matemática e de outras disciplinas. Só para lembrar a Educação Física pertence a “área de códigos e linguagens” e não “área de exatas”!!!
Comparo a Educação a Distância (EaD) com a Educação Física da Educação Presencial, porque a Educação Física e a EaD se utilizam de instrumentos, equipamentos e meios, que para muitos é considerado passatempo, para o momento do ócio e do lazer.
Na Educação Física, utiliza-se os esportes, os jogos, as brincadeiras, as danças, as ginásticas e as lutas. Já a Educação a Distância, utiliza-se das tecnologias por meio de diferentes sistemas (internet, televisores, DVDs, entre outros) e softwares (ambientes virtuais de aprendizagens), onde os professores e alunos estão separados fisicamente em espaços e tempos diferentes, o apoio e o suporte acadêmico são realizados por meio de tutoria eletrônica, e a interação de todos os envolvidos no processo (professores, tutores, alunos) ocorrem nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, Fóruns, Redes Sociais (Orkut, Facebook, LinkedIn), comunicadores instantâneos (Messenger e Google Talk).  
Culturalmente tanto a Educação Física e a Educação a Distância são tratados com inferioridade, porque a uma se utilizam de jogos e esportes e a outra de computadores, internet e redes sociais, ou seja, coisas, costumes ou hábitos (não sei definir), que estão presentes no dia a dia e no cotidiano da população.
Acredito que a Educação a Distância é a Educação Física do Ensino Tradicional (Presencial) devido ela sair dos moldes culturalmente conhecido, pouco aceitável e reconhecidos. Pois a Educação Física na Educação Básica ela é diferente de todas as disciplinas, e por incrível que pareça ela exige novas habilidades e competências, como a Educação a Distância (EaD).
A Educação a Distância no Brasil teve o reconhecimento legal como modalidade de ensino em 1996, na Lei nº 9394/96 (LDB - Lei Diretrizes e Bases da Educação), portanto o que falta são as pessoas conhecerem um pouquinho mais da EaD, que ela não é melhor e nem pior que a presencial,  mas cada uma tem suas vantagens e desvantagens.

Referências Bibliográficas
  
BENEDETTI, Cláudia; MORAN, José Manuel. Fundamentos, políticas e legislação em EAD. Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Anhanguera Educacional, 2012.

NEIRA, M. G. e Nunes, M.L.F. Educação Física, Currículo e Cultura. Phorte: São Paulo, 2009.
Neira, M. G; Lima, M. E; Nunes, M.L.F (orgs). Educação Física e culturas: Ensaios sobre a prática. São
Paulo: FEUSP, 2012 – versão completa em www.gpef.fe.usp.br
Revista Nova Escola. 4 etapas para trabalhar danças na Educação Física.  Disponivel em :  <http://revistaescola.abril.com.br/educacao-fisica/pratica-pedagogica/quatro-etapas-trabalhar-dancas-educacao-fisica-608046.shtml?page=0>. Acesso em 26/08/2012.
ROESLER, Jucimara. Referenciais de Qualidade na Educação Superior a Distância. Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2011.
Disponível em: <www.anhanguera.com>. Acesso em: 1 fev. 2012.

sábado, 10 de dezembro de 2011

DO LADO DE CÁ

Estamos em dezembro, próximo ao natal e por fim encerrando mais um ano. Dezembro, mês de confraternizações, mês de rever familiares, amigos, colegas e outros que somem praticamente durante todo o ano e resolvem aparecer neste período do ano (sai da toca).
            Durante as idas e vindas pelas ruas da cidade de São Paulo e por uma observação feita pelo professor de Educação Física J. P. Nery, ele me perguntou se eu já tinha observado o contraste social entre as duas extremidades da Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, localizada na cidade de São Paulo – SP, Brasil. 
            Ao passar por essa região, podemos perceber as diferentes realidades sociais, separadas por um rio (Rio Tietê) e interligadas por pontes e viadutos.
Do lado de cá o ambiente é precário, residências de baixo padrão (construídas de madeiras, latas, plástico; utilizam portas e janelas usadas; e até pedaços de telhas, os telhados são verdadeiros retalhos;), ou seja, favelas horizontais e favelas verticais (conjuntos habitacionais populares), sabemos que a política habitacional do lado de cá é tratada com descaso é ineficiente, e o Documento de Identificação aqui é o RG (cédula de identidade), o motivo eu não sei...  

Do lado de lá, o ambiente é totalmente desenvolvido e se desenvolve a cada dia mais, as residências são de alto padrão (edifícios, mansões, condomínios fechados, empreendimentos comerciais e entre outros) e quem não tiver condições de se manter lá, devido à alta do setor imobiliário é mandado, empurrado e / ou chutado para o lado de cá, portanto o Documento de Identificação aqui é o CPF (Cadastro de Pessoal Física), os motivos ainda não me explicaram...
            Há alguns dias atrás, estava com alguns professores discutindo a questão da utilização dos materiais recicláveis nas aulas de Educação Física, esse fato me deixa intrigado com essas possibilidades, não é que sou contra a utilização desses materiais (recicláveis ou reaproveitáveis), nem contra a sustentabilidade e a utilização dos recursos naturais de forma consciente. Então eu pergunto... É só nas aulas de Educação Física que devemos tratar esses assuntos? É assunto que só deve ser tratado ou trabalhado na Escola? E nos outros lugares? Nas casas? Nas Câmaras de Deputados Estaduais e Federais? No Senado? No Congresso Nacional? Onde seria o lugar ideal para tratamento de tema (Materiais Recicláveis e Reutilizáveis)? E por onde começar? Pelo topo ou base da pirâmide? Pelo lado de lá ou de cá?...Difícil néh? Hei, me ajuda aí!!!!
            Quando os professores falam em adaptações de materiais (bolas, colchonetes espadas, coletes, tatames, entre outros materiais que são utilizados nas aulas de Educação Física), ou seja, os alunos terão que criar com materiais recicláveis, bolas, espadas, coletes, tatames e outros, para alguns isso deve ser bacana, legal e maravilhoso, ver a criatividade dos alunos. Sabemos que os alunos da Rede Pública de ensino vivem em ambientes (casa, escola) precários e quando chegam à escola invés de ter um material de qualidade para ser utilizado nas aulas, aí vamos usar jornal, garrafa pet, e outras coisas mais.
Professores será que esquecemos que vivemos e trabalhamos no Estado mais rico do Brasil, no Estado que mais produz riquezas e que mais arrecada impostos, e os alunos merecem esse tratamento?
Não vemos os alunos de escolas ricas, jogando futebol com bola de papel, usar garrafa pet, pneus velhos entre outros, como porta-acessórios ou outra coisa qualquer, eles são os primeiros irem aos shoppings a compra o melhor para usar em no seu dia a dia, também sabemos que as grandes empresas e indústrias são as que mais poluem o planeta, os ricos são os grandes consumidores de produtos de eletro-eletrônicos entre outros, estes fazem a farra e são os pobres alunos da rede publica de ensino tem que salvar o planeta? Isso não é Injustiça Social? Nossos alunos além não usufruírem de nada, eles ficam com a pior parte do bolo (a sobra), ainda tem limpar os lixos, a água, as ruas, os esgotos, pior são responsabilizados pelo declino do planeta?
Que incrível, talvez seja os pais e os nossos alunos que estão acabando com a Amazônia. Viva a sustentabilidade, as Indústrias, as Empresas e a galera que vive no topo da pirâmide, Agradecem...
Para alguns, temos que pensar primeiramente no meio ambiente, talvez seja para os outros desfrutarem do dinheiro público em próprio beneficio?
Portanto, todos nós devemos nos preocupar com a sustentabilidade, reciclagem, consciência no uso de recursos naturais e reaproveitáveis, mas quero deixa claro, que sustentabilidade, reciclagem e o uso consciente dos recursos naturais, são questões de políticas publicas, ou seja, isso deve iniciado no topo da pirâmide e ser finalizado na base da pirâmide (escola).
Para as aulas de educação física, precisamos de materiais de ótima qualidade, cá estamos formandos cidadãos e não outra coisa.